
Nas estradas sinuosas por entre planícies verdejantes, altas montanhas e escarpas que caem no Atlântico, chega-se à Lagoa das sete cidades, local de indescritível beleza pelas duas cores com que brinda o visitante, reflexo de uma lenda de amor. Chegados às Furnas onde os vulcões mostram através de pequenas lagoas fumegantes a força da natureza, oferece ainda um dos melhores pratos da gastronomia portuguesa, o cozido.
Entre a observação de baleias, a diversidade da flora, as cidades de pedra vulcânica, as igrejas, o porto da Horta e uma escalada ao Pico são algumas das visitas vivamente recomendadas.

Dias bucólicos
"O que faz um viajante de férias em São Jorge?”, perguntamos ao António, nosso guia. "Caminhadas”, responde sem hesitar. Pode parecer pouco, mas não é. Esta pequena ilha do grupo central possui com certeza mais trilhos rasgados nos campos do que estradas, a maioria construída nos últimos 40 anos. Ainda para mais, são acompanhados de paisagens únicas, que alternam o azul do mar com o verde da floresta e das pastagens, divididas por sebes de hortênsias azuis e cor-de-rosa.
Os Açores ficam onde a Europa acaba, mas parecem por vezes também apontar agulhas para o fim do mundo. A grande parte das vilas e aldeias desta ilha, por exemplo, situa-se à beira-mar, deixando os parcos quilómetros do interior à mercê dos pastos e das vacas, bem mais numerosas (30.000) que os humanos (10.000) – e constituindo terreno mais que favorável às revoltas preconizadas por Orwell.
Manhã cedo e ao fim da tarde o único movimento visível é o das gentes da ordenha; o resto de São Jorge parece adormecido. A indústria de lacticínios encontra--se em franca expansão, é verdade – produzem-se mais de duas toneladas de queijo anualmente –, mas reporta--se apenas a cerca de nove pequenas unidades fabris dispersas e discretas em redor das principais vilas de Velas e da Calheta. Até os turistas parecem não querer perturbar esta estranha visão de um Portugal rural praticamente desaparecido, embrenhando-se manhã cedo nas encostas que descem até ao mar e à zona das Fajãs, e das quais regressam apenas ao final do dia.
Atravessada a ilha, cujo interior é trespassado por uma autêntica espinha dorsal feita de vulcões extintos, partimos à descoberta da Fajã de Santo Cristo, apenas acessível a pé, de burro ou moto quatro. A caminhada, que se prevê durar cerca de três horas e meia, tem início na Serra do Topo, envolta em nevoeiro, apesar de estarmos a largas centenas de metros do nível do mar.
Atravessamos propriedades particulares com os seus portões rústicos em madeira, saltitamos por entre ravinas e carreiros mais preparados para cascos de bovinos que para botas de montanha e deixamo-nos enredar no emaranhado verde de hectares infindáveis de pasto e da antiquíssima Laurissilva, relíquia valiosa de vegetação, existente no Sul da Europa e no Norte da África há mais de 15 milhões de anos.
Em mais de um par de horas eu e António cruzamo- -nos apenas com uma vaca solitária e com um jovem casal de mochileiros robustos. A paisagem, por seu lado, presenteia-nos com a visão das Graciosa e Terceira, vestidas por etéreos mantos de neblina. Algumas casas e pontes de pedra roubam o verde à vegetação que vamos aprendendo a chamar pelo nome, graças aos conhecimentos de botânica de António, enquanto cascatas cristalinas refrescam a descida, a páginas tantas, tão bela quanto extenuante. E após meia dúzia de subidas e descidas eis que chegamos à Fajã de Santo Cristo.
Uma igreja, uma dezena de casas de pedra e outras tantas vacas e cabras compõem o cenário de Santo Cristo. A confirmar a vida no local, um barzinho – com paredes revestidas a testemunhos muito "fumados” dos surfistas que passam por aqui todos os anos no Verão –, oferece-nos um café de saco, já que a electricidade, assim como as multidões, ainda não chegou a este lugar."*
Informações Gerais
Diferença Horária
Menos uma hora do que em Portugal Continental.
Clima
Os Açores possuem clima temperado marítimo, pelo que se registam pequenas amplitudes térmicas, sendo a temperatura média de 14ºC no Inverno e 20ºC no Verão. O grupo ocidental é frequentemente atravessado por depressões, que originam mau tempo. A chuva pode surgir em todas as épocas do ano, mas não é raro que, no mesmo dia, o céu limpo alterne com aguaceiros.
Indicativos
296 (São Miguel e Santa Maria); 295 (Terceira, Graciosa e São Jorge); 292 (Faial, Pico, Flores e Corvo).
Onde comer
Restaurante Velense – Rua Cons. Dr. José Pereira, Velas. No centro da vila, serve deliciosos pratos de peixe fresco. Preço médio por refeição: €10.
Actividades
Caminhadas, passeios de barco e desportos radicais são as actividades com que esta ilha nos presenteia.
*Rotas&Destinos